Monumentos contam história de Cuiabá

Fatos marcantes e pessoas que ajudaram a construir a história de Cuiabá ganharam espaço nas principais regiões e praças da capital mato-grossense. Alguns monumentos guardam a história da Cuiabá antiga, quando ainda não havia água encanada. Marechal Cândido Mariano Rondon descobriu que um ponto da capital é o centro da América do Sul, local marcado por um monumento. Enquanto isso, uma simples lavadeira de roupa chamada Maria Taquara ganhou uma estátua e uma praça com o seu nome, bem no centro de Cuiabá. Conheça alguns monumentos mais conhecidos da capital mato-grossense.

Obelisco

Cuiabá está no coração da América do Sul. Uma estrutura de mármore com pouco mais de 20 metros de altura construída pelo artesão Júlio Caetano demarca o local exato do centro geodésico da América do Sul. A peça relembra a delimitação geográfica medida pelo marechal Cândido Mariano da Silva Rondon em 1909.

O obelisco do centro geodésico está localizado na Praça Pascoal Moreira Cabral, que fica na Rua Barão de Melgaço, e que era conhecida como Campo d’Ourique, lugar antigamente utilizado para touradas e manifestações religiosas. Por estar em uma localidade central, foi construída a Assembleia Legislativa, posteriormente sendo substituída pela Câmara Municipal de Cuiabá.

Chafariz do Mundéu

O Chafariz do Mundéu é um retrato da época em que Cuiabá não possuía água encanada para os moradores. O local foi o primeiro sistema de abastecimento de água na capital, por volta de 1870, sendo alimentado por nascentes da região. O chafariz está localizado na região central de Cuiabá, entre a atual Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha) e a Rua Coronel Peixoto.

O local abrigava o antigo Lago da Conceição e foi tombado como patrimônio histórico em 1980. “Cuiabá não tinha água encanada. Havia alguns chafarizes com fontes que abasteciam a cidade. Você tinha que comprar água de alguém. No período imperial eram os negros que faziam isso em troca de conseguir alforria”, explicou o historiador Pedro Félix.

Apenas no final do século 19 que começaram a planejar um sistema de água encanada para a capital mato-grossense. O local ganhou uma Praça, com o nome do Bispo José Antônio dos Reis. Em 1996, a praça foi desativada e deu lugar a um terminal de integração de ônibus municipais, sendo utilizado pela população por quase 10 anos. Após esse período, a antiga praça foi revitalizada em dezembro de 2005.

Maria Taquara

A história simples de uma lavadeira de roupas virou uma estátua e deu nome a uma praça na região da Prainha, em Cuiabá. Maria Taquara era uma jovem negra que lavava roupas nas margens de um córrego no centro de Cuiabá, entre as décadas de 30 e 40. Por ser alta e magra, ganhou o apelido de Taquara e teve fama por se tornar um símbolo da igualdade na sociedade.

A escultura foi criada pelo artista plástico Haroldo Tenuta, no entanto, foi restaurada por Fred Fogaça após a estrutura cair durante um vendaval em 2009. Para o historiador Pedro Félix, Maria fazia parte de um grupo de pessoas que era ridicularizado pela sociedade da época.

“Maria Taquara faz parte de um grupo prosaico. Ao mesmo tempo em que era ridicularizado, fazia parte da identidade da cidade. Essas figuras fazem parte do universo folclórico de que toda cidade tem um doido ou alguém que fugia dos ‘padrões’ da época”, lembrou.

A lavadeira teria sido a primeira mulher da capital que usou calças. Maria morava na região atual do Bairro Goiabeiras e servia sexualmente a soldados de um quartel. “No caso da Maria, ela atendia a outros ‘atributos’ à noite. Os militares a adoravam”, disse Félix. Dessas atividades a lavadeira ganhou a fama de ‘De dia Maria Taquara e de noite Maria meu bem’.

Bandeirantes

Três personagens que marcaram a história de Cuiabá e ajudaram a construir a cidade estão eternizados em um monumento na Avenida Coronel Escolástico, no Bairro Bandeirantes: o bandeirante, o negro e o índio. A estátua foi construída em comemoração aos 250 anos de fundação da capital.

“Na estátua você vê o bandeirante: um homem alto, esguio e com jeito de ser poderoso. Embaixo tem o negro e o índio, como personagens que ajudaram na história”, opinou Félix.

A figura do meio retrata o bandeirante Pascoal Moreira Cabral, como desbravador da região. O índio, representando as tribos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, e o negro, recordando os escravos que serviram de mão de obra para o crescimento do estado.

Mãe Bonifácia

Ainda na época da escravidão, uma mulher negra virou figura lendária ao proteger e acobertar os negros, vítimas dos capitães da época. Bonifácia era alforriada, curandeira e controlava o acesso aos quilombos. O local em que ela vivia deu nome ao Parque Mãe Bonifácia inaugurado em 2000, na Avenida Miguel Sutil.

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